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26/jan/2012

Facebook contribui mais para mobilização que FSM, diz sociólogo

As pri­mei­ras edi­ções do Fórum Social Mun­dial (FSM), nas­cido em Porto Ale­gre no começo da década pas­sada, gera­ram muito estar­da­lhaço em um evento que se pro­pu­nha a ser um con­tra­ponto ao Fórum Mun­dial Econô­mico de Davos. Desde então, o FSM pas­sou a ado­tar dife­ren­tes for­ma­tos em diver­sos paí­ses, mas sem deli­be­ra­ções ou ações sig­ni­fi­ca­ti­vas. Para o soció­logo Sér­gio Cou­ti­nho, autor do livro Movi­mento dos Movi­men­tos, o Face­book tem con­tri­buído muito mais que o FSM para as mobi­li­za­ções sociais.

Des­ses movi­men­tos mais recen­tes como o Occupy Wall Street, a Via Cam­pe­sina, na Amé­rica Latina, e a Pri­ma­vera Árabe, nenhum deles sur­giu des­ses fóruns. Não há nenhum movi­mento sig­ni­fi­ca­tivo inter­na­ci­o­nal anti­ca­pi­ta­lista que tenha sur­gido daquele que seria o maior deles. Ele tal­vez con­tri­bua para que se encon­trem, mas o Face­book vem con­tri­buindo muito mais”, afirma.

As crí­ti­cas quanto ao for­mato e à ori­en­ta­ção ideológico-partidária do FSM são mui­tas na ava­li­a­ção do soció­logo. Para ele, ape­sar do grande estar­da­lhaço gerado na década pas­sada, os com­pro­mis­sos fir­ma­dos eram sem­pre muito gené­ri­cos. “Cen­te­nas de pes­soas uni­das assis­tindo a mesma mesa ou con­fe­rên­cia, pare­cia ser mais sig­ni­fi­ca­tivo do que o que fariam depois”, disse Cou­ti­nho sobre o for­mato pós-moderno que o evento aca­bou adotando.

Segundo ele, os orga­ni­za­do­res são vin­cu­la­dos ao Par­tido dos Tra­ba­lha­do­res (PT) do Rio Grande do Sul, o que fez com que, depois da inter­na­ci­o­na­li­za­ção, o evento se tor­nasse “a expres­são inter­na­ci­o­nal de um par­tido”, enfra­que­cendo o evento, mas for­ta­le­cendo as organizações.

À medida que ele se inter­na­ci­o­na­liza, vai per­dendo essa iden­ti­dade com­pli­cada que ele teve nas pri­mei­ras edi­ções no Bra­sil e per­mite a inte­gra­ção de orga­ni­za­ções que esta­vam espa­lha­das em cada país. Se a marca se enfra­quece, os movi­men­tos têm se for­ta­le­cido”, disse ao com­pa­rar o fórum a even­tos como o Rock In Rio e até ao Fórum Mun­dial Econô­mico. “Se tor­nou um primo do fórum de Davos. Ambos dis­cu­tem redu­ção de juros inter­na­ci­o­nais, ambos dis­cu­tem impos­tos sobre a riqueza, desen­vol­vi­mento sus­ten­tá­vel, não ficou mais algo de um ser capi­ta­lista e o outro ser anticapitalista”.

Autor: Daniel Favero
Fonte: Terra.com.br