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Intercâmbio
08/fev/2012

SoundCloud e o desafio de ser a nova rede social de música

Pla­ta­for­mas de música na nuvem — desde Last.fm, pas­sando pelo megahit Gro­o­veShark — não chega a ser novi­dade no mundo da Comu­ni­ca­ção Digi­tal. Mas e redes soci­ais que esti­mu­lam a pro­du­ção de música? Tal­vez você lem­bre do MyS­pace. Mas e o Sound­Cloud? Esse é o novo fenô­meno do momento.

Hoje, exis­tem 11 milhões de usuá­rios no mundo — ou, como Dave Hay­nes pre­fere men­ci­o­nar, 11 milhões de com­po­si­to­res. Vice-presidente de desen­vol­vi­mento de negó­cios da Sound­Cloud, Hay­nes men­ci­o­nou que a empresa cri­ada há qua­tro anos sal­tou de oito fun­ci­o­ná­rios em dezem­bro de 2011 para 80, em fevereiro.

Sound­Cloud é a prin­ci­pal pla­ta­forma de áudio que per­mite a qual­quer pes­soa cap­tu­rar, regis­trar e com­par­ti­lhar seus sons atra­vés da web. Hay­nes lem­bra que o som faz parte do coti­di­ano das pes­soas, e cria todo um ambi­ente a par­tir dos sen­ti­dos que estimula.

Para Hay­nes, o áudio não é intru­sivo e per­mite que as pes­soas pos­sam fazer outras coi­sas enquanto escu­tam som. O mesmo não ocorre com o con­sumo de vídeo ou a lei­tura de um blog. “Não se con­se­gue assis­tir a um DVD no carro e diri­gir ao mesmo tempo. Já com a música é dife­rente”, define.

REC is the new QWERTY
Uma das razões do sucesso e da rápida expan­são do Sound­Cloud foi ter trans­for­mado o som em um objeto social. “É mais fácil aper­tar o botão REC (record) e sair falando que fazer um tweet, por exem­plo, para se comu­ni­car”, afirma.

Hay­nes lem­bra que uma das gran­des pre­o­cu­pa­ções da empresa foi tra­ba­lhar os direi­tos auto­rais e focar em músi­cos que que­rem com­par­ti­lhar suas can­ções ou remixá-las atra­vés da plataforma.

O caso refere a outras pla­ta­for­mas que tive­ram de se modi­fi­car ao longo do tempo — como o Last.fm — que pre­ci­sa­ram gerar for­mas de mone­ti­za­ção ou per­de­ram bata­lhas judi­ci­ais con­tra as gra­va­do­ras — como o Napster.

Sound­Cloud Hero
Para esti­mu­lar a comu­ni­dade a con­ti­nuar enga­jada cri­a­ti­va­mente e pro­du­zindo, a Sound­Cloud criou estra­té­gias para mobi­li­zar os usuá­rios. Uma das delas é a Sound­Clou­ders of the Day — que elege os usuá­rios mais ati­vos. Cada um recebe um email com a noti­fi­ca­ção e é con­vi­dado a criar um arquivo de som sobre o “prêmio”.

Hay­nes afirma que não é neces­sá­rio empre­gar tanta ener­gia na ges­tão da comu­ni­dade e, sim, em dar fer­ra­men­tas para que a comu­ni­dade de usuá­rios possa com­par­ti­lhar suas per­cep­ções. “Assim, eles serão os nos­sos evan­ge­lis­tas”. Para ele, basta à Sound­Cloud man­ter ações pon­tu­ais para man­ter alta a curva de ati­va­ção e enga­ja­mento.

Evan­ge­lis­tas de peso
“O som garante uma auten­ti­ci­dade que o texto nem sem­pre con­se­gue cons­truir”. Hay­nes usa o exem­plo de um tweet cri­ado por um astro da música — que sem­pre terá sua auten­ti­ci­dade ques­ti­o­nada pelos fãs. “Pode ter sido feito pela equipe de social media ou de mar­ke­ting do can­tor. Mas e a gra­va­ção?”. Ele mos­tra o uso da pla­ta­forma pela can­tora Rihanna para anun­ciar uma série de shows no Brasil.

Inves­ti­dor da pla­ta­forma, o ator Ash­ton Kutsher cos­tu­mava gra­var poe­mas e com­par­ti­lhar os arqui­vos pelo Twit­ter e seus milhões de segui­do­res. Hay­nes mos­trou, ainda, uma apli­ca­ção cri­ada pelo músico Moby que uti­liza dife­ren­tes APIs para gerar uma pla­ta­forma geor­re­fe­ren­ci­ada de som, música e anotações.